terça-feira, 31 de agosto de 2010

330 LIVROS ON LINE no site www.dominiopublico.gov.br

No site do dominiopublico.gov.br é possível acessar cerca de 330 obras clássicas da literatura nacional e estrangeira. Basta  clicar no título para  ler ou imprimir.

1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
2. A Comédia dos Erros -William Shakespeare
3. Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
4. Dom Casmurro -Machado de Assis
5. Cancioneiro -Fernando Pessoa
6. Romeu e Julieta -William Shakespeare
7. A Cartomante -Machado de Assis
8. Mensagem -Fernando Pessoa
9. A Carteira -Machado de Assis
10. A Megera Domada -William Shakespeare
11. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
12. Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
13. O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
14. Dom Casmurro -Machado de Assis
15. Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
16. Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
17. Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
18. A Carta -Pero Vaz de Caminha
19. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
20. Macbeth -William Shakespeare
21. Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
22. A Tempestade -William Shakespeare
23. O pastor amoroso -Fernando Pessoa
24. A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
25. Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
26. A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
27. O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
28. O Mercador de Veneza -William Shakespeare
29. A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
30. Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
31. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
32. A Mão e a Luva -Machado de Assis
33. Arte Poética -Aristóteles
34. Conto de Inverno -William Shakespeare
35. Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
36. Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
37. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
38. A Metamorfose -Franz Kafka
39. A Cartomante -Machado de Assis
40. Rei Lear -William Shakespeare
41. A Causa Secreta -Machado de Assis
42. Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
43. Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
44. Júlio César -William Shakespeare
45. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
46. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
47. Cancioneiro -Fernando Pessoa
48. Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional
49. A Ela -Machado de Assis
50. O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
51. Dom Casmurro -Machado de Assis
52. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
53. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
54. Adão e Eva -Machado de Assis
55. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
56. A Chinela Turca -Machado de Assis
57. As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
58. Poemas Selecionados -Florbela Espanca
59. As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
60. Iracema -José de Alencar
61. A Mão e a Luva -Machado de Assis
62. Ricardo III -William Shakespeare
63. O Alienista -Machado de Assis
64. Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
65. A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
66. A Carteira -Machado de Assis
67. Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
68. Senhora -José de Alencar
69. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
70. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
71. A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
72. Sonetos -Luís Vaz de Camões
73. Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
74. Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
75. Iracema -José de Alencar
76. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
77. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
78. O Guarani -José de Alencar
79. A Mulher de Preto -Machado de Assis
80. A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
81. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
82. A Pianista -Machado de Assis
83. Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
84. A Igreja do Diabo -Machado de Assis
85. A Herança -Machado de Assis
86. A chave -Machado de Assis
87. Eu -Augusto dos Anjos
88. As Primaveras -Casimiro de Abreu
89. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
90. Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
91. Quincas Borba -Machado de Assis
92. A Segunda Vida -Machado de Assis
93. Os Sertões -Euclides da Cunha
94. Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
95. O Alienista -Machado de Assis
96. Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
97. Medida Por Medida -William Shakespeare
98. Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
99. A Alma do Lázaro -José de Alencar
100. A Vida Eterna -Machado de Assis
101. A Causa Secreta -Machado de Assis
102. 14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
103. Divina Comedia -Dante Alighieri
104. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
105. Coriolano -William Shakespeare
106. Astúcias de Marido -Machado de Assis
107. Senhora -José de Alencar
108. Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
109. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
110. Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
111. A "Não-me-toques" ! -Artur Azevedo
112. Os Maias -José Maria Eça de Queirós
113. Obras Seletas -Rui Barbosa
114. A Mão e a Luva -Machado de Assis
115. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
116. Aurora sem Dia -Machado de Assis
117. Édipo-Rei -Sófocles
118. O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
119. Pai Contra Mãe -Machado de Assis
120. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
121. Tito Andrônico -William Shakespeare
122. Adão e Eva -Machado de Assis
123. Os Sertões -Euclides da Cunha
124. Esaú e Jacó -Machado de Assis
125. Don Quixote -Miguel de Cervantes
126. Camões -Joaquim Nabuco
127. Antes que Cases -Machado de Assis
128. A melhor das noivas -Machado de Assis
129. Livro de Mágoas -Florbela Espanca
130. O Cortiço -Aluísio de Azevedo
131. A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
132. Helena -Machado de Assis
133. Contos -José Maria Eça de Queirós
134. A Sereníssima República -Machado de Assis
135. Iliada -Homero
136. Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
137. A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
138. Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
139. Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
140. Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
141. Anedota Pecuniária -Machado de Assis
142. A Carne -Júlio Ribeiro
143. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
144. Don Quijote -Miguel de Cervantes
145. A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
146. A Semana -Machado de Assis
147. A viúva Sobral -Machado de Assis
148. A Princesa de Babilônia -Voltaire
149. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
150. Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
151. Papéis Avulsos -Machado de Assis
152. Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
153. Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
154. O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
155. Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
156. Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
157. A Desejada das Gentes -Machado de Assis
158. A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
159. Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
160. Almas Agradecidas -Machado de Assis
161. Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
162. Contos Fluminenses -Machado de Assis
163. Odisséia -Homero
164. Quincas Borba -Machado de Assis
165. A Mulher de Preto -Machado de Assis
166. Balas de Estalo -Machado de Assis
167. A Senhora do Galvão -Machado de Assis
168. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
169. A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
170. Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
171. CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
172. Cinco Minutos -José de Alencar
173. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
174. Lucíola -José de Alencar
175. A Parasita Azul -Machado de Assis
176. A Viuvinha -José de Alencar
177. Utopia -Thomas Morus
178. Missa do Galo -Machado de Assis
179. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
180. História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
181. Hamlet -William Shakespeare
182. A Ama-Seca -Artur Azevedo
183. O Espelho -Machado de Assis
184. Helena -Machado de Assis
185. As Academias de Sião -Machado de Assis
186. A Carne -Júlio Ribeiro
187. A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
188. Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
189. Antes da Missa -Machado de Assis
190. A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
191. A Carta -Pero Vaz de Caminha
192. LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
193. A mulher Pálida -Machado de Assis
194. Americanas -Machado de Assis
195. Cândido -Voltaire
196. Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
197. El Arte de la Guerra -Sun Tzu
198. Conto de Escola -Machado de Assis
199. Redondilhas -Luís Vaz de Camões
200. Iluminuras -Arthur Rimbaud
201. Schopenhauer -Thomas Mann
202. Carolina -Casimiro de Abreu
203. A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
204. Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
205. Memorial de Aires -Machado de Assis
206. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
207. A última receita -Machado de Assis
208. 7 Canções -Salomão Rovedo
209. Antologia -Antero de Quental
210. O Alienista -Machado de Assis
211. Outras Poesias -Augusto dos Anjos
212. Alma Inquieta -Olavo Bilac
213. A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
214. A Semana -Machado de Assis
215. Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
216. A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
217. Esaú e Jacó -Machado de Assis
218. Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
219. História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
220. A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
221. Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
222. Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
223. Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
224. A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
225. Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
226. As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
227. O LIVRO D'ELE -Florbela Espanca
228. O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
229. A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
230. Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
231. A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
232. Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
233. Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
234. A Bela Madame Vargas -João do Rio
235. Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
236. Cinco Mulheres -Machado de Assis
237. A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
238. O Cortiço -Aluísio Azevedo
239. RELIQUIAE -Florbela Espanca
240. Minha formação -Joaquim Nabuco
241. A Conselho do Marido -Artur Azevedo
242. Auto da Alma -Gil Vicente
243. 345 -Artur Azevedo
244. O Dicionário -Machado de Assis
245. Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
246. A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
247. AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
248. Cinco minutos -José de Alencar
249. Lucíola -José de Alencar
250. Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
251. A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
252. A Alegria da Revolução -Ken Knab
253. O Ateneu -Raul Pompéia
254. O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
255. Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
256. A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
257. Noite de Almirante -Machado de Assis
258. O Sertanejo -José de Alencar
259. A Conquista -Coelho Neto
260. Casa Velha -Machado de Assis
261. O Enfermeiro -Machado de Assis
262. O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
263. Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
264. A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
265. Poemas -Safo
266. A Viuvinha -José de Alencar
267. Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
268. Contos para Velhos -Olavo Bilac
269. Ulysses -James Joyce
270. 13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
271. Cícero -Plutarco
272. Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
273. Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
274. As Religiões no Rio -João do Rio
275. Várias Histórias -Machado de Assis
276. A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
277. Bons Dias -Machado de Assis
278. O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
279. A Capital Federal -Artur Azevedo
280. A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
281. As Forças Caudinas -Machado de Assis
282. Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
283. Balas de Estalo -Machado de Assis
284. AS VIAGENS -Olavo Bilac
285. Antigonas -Sofócles
286. A Dívida -Artur Azevedo
287. Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
288. Uns Braços -Machado de Assis
289. Ubirajara -José de Alencar
290. Poética -Aristóteles
291. Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
292. A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
293. Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
294. Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
295. Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
296. Via-Láctea -Olavo Bilac
297. O Mulato -Aluísio de Azevedo
298. O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
299. Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
300. A Pata da Gazela -José de Alencar
301. BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
302. Vozes d'África -Antônio Frederico de Castro Alves
303. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
304. O que é o Casamento? -José de Alencar
305. A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht
306. A Casa Fechada -Roberto Gomes Ribeiro
307. As Asas de um Anjo (Comédia) -José de Alencar
308. Béatrix -Honoré de Balzac
309. Diva -José de Alencar
310. A Melhor Amiga -Artur Azevedo
311. A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
312. CONTOS AVULSOS -Alcântara Machado
313. Poemas Humorísticos e Irônicos -João da Cruz e Sousa
314. Cantiga de Esponsais -Machado de Assis
315. Quincas Borba -Machado de Assis
316. Brincar com fogo -Machado de Assis
317. Helena -Machado de Assis
318. Dentro da noite -João do Rio
319. O Livro da Lei -Aleister Crowley
320. Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia -José de Santa Rita Durão
321. Conto de Escola -Machado de Assis
322. Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
323. Poemas Malditos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
324. Ao Entardecer (contos vários) -Visconde de Taunay
325. Felicidade pelo Casamento -Machado de Assis
326. Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
327. Cartas Chilenas -Tomáz Antônio Gonzaga
328. O Mulato -Aluísio de Azevedo
329. Farsa do Velho da Horta -Gil Vicente
330. Amor com Amor se Paga -Joaquim José da França Junior

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ESCOLAS NÃO SALVAM O MUNDO!!!!

Escolas não salvam o mundo, diz secretária do MEC
Para Maria do Pilar Lacerda, não dá para pensar em melhora profunda da educação sem melhorar o País como um todo

Priscilla Borges, iG Brasília | 27/08/2010 07:00


Foto: Fellipe Bryan Sampaio

Para a secretária do MEC Maria do Pilar, o maior desafio na educação do próximo presidente é garantir escola para todos os alunos de 4 a 17 anos
Saiba mais

* Problemas na qualidade de ensino extrapolam a sala de aula
* Apuarema amarga o peso da pior nota na educação do País
* Em Jussari, alunos não conseguem aprender a ler e escrever
* Em Dário Meira, gestores tentam compreender nota no Ideb
* Consulte e compare o Ideb das escolas até a 4ª série
* Consulte e compare os números do Ideb das escolas nos anos finais

Chegar aos mesmos níveis de qualidade educacional dos países desenvolvidos exigirá do Brasil mais do que investimento nas escolas. A opinião é da secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva. Em entrevista ao iG, ela diz que é preciso tirar o caráter “salvacionista” da educação.

“Não dá para pensar em uma melhora profunda da educação sem melhorar o país como um todo”, ela admite. No entanto, a mineira, formada em história pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que o Brasil tem motivos para comemorar. Para ela, a população passou a exigir qualidade e políticas que resolvam os problemas do País.

Para Pilar, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – que mede a qualidade de ensino em escolas, redes e municípios – está contribuindo para mudar o ensino oferecido pelas escolas do País. Primeiro, serve de medida de avaliação. Depois, passou a definir políticas e estratégias para vencer desafios. “O resultado virá em médio prazo. Mas as mudanças estão acontecendo. A sociedade acompanha o Ideb hoje e cobra responsabilidades”, diz.

Pilar conversou com o iG sobre os resultados do Ideb dias após a equipe de reportagem do portal ter percorrido, no início do mês, 1.000 quilômetros pela Bahia, o Estado que amarga algumas das notas mais baixas do Brasil no índice. Desde segunda-feira, uma série de reportagens mostrou a realidade que justifica o desempenho das escolas de quatro municípios.

Professora da rede pública em Minas Gerais, desde 1976, Pilar já foi secretária municipal de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte e presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Para ela, os municípios se tornaram foco das políticas, especialmente os que mais precisam. “Invertemos a lógica”, afirma.


iG: Qual a importância do Ideb para o País hoje, em sua avaliação?
Pilar: Ter uma medida da qualidade de ensino e oferecer um norte para as políticas públicas, que oriente a tomada de decisão em todos os níveis. Em nível local, nos municípios, acho que o mais importante foi que o Ideb proporcionou que eles tivessem consciência do próprio desempenho. O Ideb só tem sentido se servir para orientá-los a melhorar.

iG: O que mudou na educação brasileira a partir do Ideb?
Pilar: Acho que a criação do índice mudou a orientação das políticas do MEC para os municípios. O regime de colaboração tomou outro rumo a partir da primeira divulgação do Ideb. Antes, a transferência de recursos voluntária – aquela além da obrigatória – era feita para os municípios que apresentavam projetos. Passamos a dar prioridade aos que eram mais frágeis depois do Ideb. Invertemos a lógica. Acredito que os gestores das escolas também estão mais conscientes sobre sua situação e mais focados nos projetos pedagógicos. A cultura de avaliar e planejar a partir dos próprios resultados está chegando às escolas e isso só foi possível por causa do Ideb.

iG: E o que ainda deve ser mudado?
O interior da escola - professores, pais e alunos – precisa se apropriar mais desses resultados. É preciso promover debates internos sobre eles, para que as próprias escolas tomem decisões a partir daí. Até o Ideb, não havia essa cultura de avaliação, a escola não se conhecia, não havia comparação possível ou preocupação com esse desempenho. Mas essa apropriação do Ideb pela escola ainda é muito frágil.

iG: Muitas variáveis externas à escola influenciam diretamente a qualidade da educação e não são mensuráveis. A senhora acredita que algumas sejam mais determinantes? Como a sociedade deve olhar o Ideb, sabendo que não é capaz de medir tudo o que influencia o ensino?
Pilar: É muito importante lembrar que os fatores extraescolares são muito determinantes para o sucesso escolar. Nenhum dos países desenvolvidos na área educacional tem uma distribuição de renda ruim. Não dá para pensar em uma melhora profunda da educação sem melhorar o País como um todo. Educação é necessária, mas não é suficiente para salvar o mundo. É preciso reconhecer as especificidades de cada local e articular trabalhos com outros setores, como a saúde, a assistência e até a área que cuida de planejamento urbano, como rede de água, esgoto, asfaltamento. O Ideb é muito importante porque aponta os lugares frágeis e os que têm bons resultados. As avaliações devem ser feitas para garantir aprendizagem para todos. Não adianta reprovar crianças para não fazerem a Prova Brasil ou passar todo mundo sem que tenham aprendido. Nenhuma pode ficar para trás.

iG: O que a senhora acredita que pode ser feito para mudar realidades como as que a reportagem do iG visitou e apresentou a você?
Pilar: É importante fortalecer as áreas do campo, para que as pessoas permaneçam nesses locais e se fortaleça uma massa crítica local. Criar políticas em diferentes frentes como saúde, assistência social. Interiorizar as universidades federais e as escolas técnicas, porque onde tem campus tem pesquisa, mestrado, doutorado. Isso mantém a juventude na região, formando a massa crítica que vai atuar nas escolas e criar políticas públicas. Coisas que impactam positivamente na educação.

iG: Qual o maior desafio na área educacional que ficará para o próximo presidente, em sua opinião?
Pilar: O maior desafio será garantir escola para todos os alunos de 4 a 17 anos, tudo ao mesmo tempo e agora. A ampliação do ensino obrigatório foi aprovada recentemente. Três milhões de brasileiros ainda estão fora da escola e, até 2016, terão de estar incluídas. Isso significa garantir espaço físico, vaga e projetos pedagógicos contemporâneos que garantam permanência com aprendizagem. Acho que o próximo presidente não deve mexer no Ideb por enquanto. É preciso dar mais tempo ao processo para pensar em ajustes.
(Fonte: IG)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DEUS ME "LIVRO"

Mais de 220 municípios do país não vão receber livros didáticos em 2011
Um balanço do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) obtido pelo UOL Educação mostra que 222 municípios do país não vão receber livros do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) em 2011.

Estas cidades ou perderam o prazo para enviar os termos de adesão - 30 de junho deste ano- ou não se interessaram pelo programa e vão usar, por exemplo, apostilas.

Veja a lista das cidades e entidades!

No ano que vem, o MEC (Ministério da Educação), a quem o FNDE está vinculado, vai distribuir livros principalmente para as séries finais do ensino fundamental, além dos de reposição para as outras etapas. Pela primeira vez, as secretarias de educação municipais e estaduais, além de outras entidades (como escolas federais) precisaram preencher um termo de adesão para entrarem no programa. Até o ano passado, os livros eram enviados de acordo com número de alunos apontado no censo escolar.

São Paulo é o Estado, disparado, com o maior número de municípios fora do programa: 146. Minas Gerais em segundo, com 19 e o Maranhão, em terceiro, com oito. Há mais 16 instituições, como centros federais de tecnologias e colégios militares, que ficarão de fora. No total, 238 entidades não vão receber os livros didáticos.

Em SP, a maioria está trocando o material do PNLD por apostilas e as utilizando na rede pública. O custo por aluno, neste caso, pode chegar a R$ 170. Pelo programa do livro didático, cada livro sai, em média, por R$ 6. Em 2009, foram gastos pelo governo federal R$ 577,6 milhões na compra de livros.
(jORNAL O Dia).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

OPALA


A primeira ideia para o meu mestrado, em 2007, foi discorrer sobre a saga da Umbanda no município de Pedro II, Piauí. Mas, por alguma razão, deixei de banda a Umbanda (que virá em outro livro: “Umbanda por estas bandas”) e escrevi (orientado pela doutora Dione Morais) sobre os pequenos garimpeiros de opala, a quem chamei de “bamburristas” para distingui-los dos demais sujeitos da cadeia produtiva da opala: grandes garimpeiros, empresários da opala, joalheiros, lapidários e técnicos.
O presente livro, pois, trata-se de uma versão (adaptação seria melhor) em linguagem mais acessível ao grande público da dissertação a que fiz referência acima. É, também, uma tentativa de disponibilizar um primeiro trabalho de cunho sociológico sobre esses homens que ariscam a vida em busca dessa gema cuja importância tanto econômica quanto simbólica terminou por cunhar o termo “Terra da Opala” quando nos referimos ao município piauiense de Pedro II.
Ora, Pedro II já teve outras alcunhas, dentre estas, “Suíça piauiense”, “Terra da rede”, “Terra da água boa”, “Terra de mulher bonita” (que continua atual). Mas por que, então, apenas a alcunha “Terra da Opala” ganhou um portal na entrada da cidade? Por que quando nos identificamos por esse mundo de Deus como filhos do município de Pedro II, as pessoas vão logo dizendo “Da terra que tem opala”?
Então a opala é como um cartão de visita do município para o mundo. No entanto, mesmo pessoas relativamente bem informadas pensam que a opala é uma “pedra”, quando trata-se, na verdade, de uma gema. Outras pessoas ainda acreditam que a opala traz azar, má sorte. “Traz, sim, mas para quem não encontra ela”, como me disse um velho e sábio garimpeiro durante minha pesquisa para o mestrado. Sabe-se menos, ainda, como vivem, o que pensam e o que dizem os pequenos garimpeiros de opala.
Após seis décadas de exploração dessa gema no município, foi sobretudo a partir do Festival de Inverno (cuja sétima edição ocorre em 2010), juntamente com a implantação do Arranjo Produtivo da Opala (APL Opala) que a gema alcançou status de verdadeira celebridade dentre as demais conhecidas. Isso, talvez, pelo fato de cada gema de opala ser  única (cada uma apresenta características gemológicas e sobretudo visuais particulares), como costumam repetir à exaustão aqueles que com ela lidam.
Seja como for, A Terra da Opala, Pedro II, é um dos poucos lugares do mundo onde essa gema é explorada, tendo na Austrália o único concorrente de peso. Com mais de 34 garimpos, 500 garimpeiros, 20 lojas de ourivesaria, lapidação e venda de opala (com mais de uma centena e meia de proprietários e trabalhadores), à época da desta pesquisa; com práticas garimpeiras tão díspares como a extração manual e a que emprega máquinas possantes, com pequenos garimpeiros ganhando cerca de cento e vinte reais mensais (dados de 2008) e empresários da opala ganhando em euro cem vezes mais, eis que a opala povoa o inconsciente coletivo dos pedrossegundenses e tem uma marca profunda na formação da identidade sociocultural dos pequenos garimpeiros, como pretendemos demonstrar nas páginas seguintes. Vitimizados, contudo, por um processo de invisibilidade social, esses homens fazem parte de uma cadeia produtiva que na qual não tem vez nem voz. Por outro lado, a sociedade pedrossegundense os ignora, acentuando o estigma da invisibilidade.


LIMA, E. G. de













ASSIM NÃO É POSSÍVEL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Conheça a realidade por trás dos números que avaliam a educação

iG percorreu 1000 km na Bahia para entender as baixas notas no Ideb e desvenda em série de reportagens como ensino pode melhorar

Priscilla Borges, enviada especial à Bahia | 23/08/2010 04:40
Falta espaço na casa de quatro cômodos pequenos onde Wellington Borges da Silva, de 11 anos, vive com os pais e mais dois irmãos. Os livros didáticos que recebe da escola ficam empilhados em um cantinho, junto com o único caderno, ao lado do guarda-roupas, no quarto que divide com os irmãos.

Foto: Robson Mendes
Wellington Borges da Silva, de 11 anos, estuda na cozinha, em pé, em Apuarema, na Bahia
Wellington faz as tarefas da escola em pé, na mesa da cozinha, onde não há cadeiras. A família não possui livros de literatura, nem lápis de cor ou giz de cera. Ele carrega o lápis, a caneta e a borracha no bolso. Não tem mochila ou estojo.
O pai de Wellington tenta, mas não pode ajudar muito o menino porque só estudou até a 5ª série do ensino fundamental. Avisa todos os dias aos filhos que só o estudo pode mudar a dura vida da família, que ainda sonha com a casa própria.
A realidade de Wellington, que mora em Apuarema, no interior da Bahia, se assemelha à de centenas de crianças da cidade (e do País). Não aparece nos números que medem a qualidade da educação nacional e suas complicações não foram suficientes para fazê-lo desistir de estudar. Pelo menos, por enquanto.
Em busca de conhecer os fatos que as estatísticas dificilmente conseguem medir e de respostas que justifiquem o sucesso e o fracasso de escolas e municípios no processo educacional, o iG percorreu, no início do mês, mais de 1.000 quilômetros pela Bahia, o Estado que amarga algumas das notas mais baixas do Brasil no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Conversou com professores, diretores, gestores, pais e alunos de quatro municípios. Em um deles, fez a visita acompanhado da pedagoga Mônica Samia, que coordenou duas pesquisas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre o Ideb desde 2007. As descobertas desta viagem serão publicadas, de hoje até sexta-feira, em série de reportagens que desvenda a realidade por trás dos números da educação.



O Ideb
Em 2007, o MEC criou a avaliação com a pretensão de medir a qualidade da educação brasileira a partir de notas em provas de português e matemática – a Prova Brasil – e da quantidade de alunos aprovados em cada série.

Foto: Robson Mendes
Entre os piores desempenhos do ensino brasileiro, município de Dario Pereira tem nota mais alta: 2,2
A partir dos resultados, criou metas para cada escola, rede, município, Estado e para o País. Cada instituição ou rede tem uma nota a ser atingida, elaborada de acordo com os próprios desafios. Em 2022, o objetivo é que as escolas das séries iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª) cheguem à nota 6, patamar equivalente ao desempenho de países desenvolvidos.
Com base nas metas individuais, o MEC formulou políticas para ajudar as redes a atingirem notas melhores. Aos poucos, o impacto do Ideb provoca mudanças.
Entre as 11 cidades com as cinco piores notas nas séries iniciais da rede pública (há alguns empates), seis são baianas. Apuarema, a cidade de Wellington, aparece na lista divulgada pelo Ministério da Educação em julho com a pior nota do Brasil, de 0,5, em uma escala de 0 a 10.
Na sequência, estão os municípios de Pedro Alexandre (2,0), Manoel Vitorino e Nilo Peçanha (2,1), e, por fim, Dário Meira e Pilão Arcado (2,2), todos com notas bem abaixo da média nacional para a etapa, que ficou em 4,6 pontos, e insuficientes para atingir as próprias metas (veja lista completa).
Nas séries finais (5ª a 8ª), o cenário se repete: 13 municípios reúnem as piores notas, todas com menos de dois pontos no índice – a média nacional foi 4,00. Deles, cinco estão na Bahia. Itapitanga, Itatim e Jussari ficaram com 1,8. Aramari e Ibirataia, 1,9. (a lista completa)
A viagem


Foto: Robson Mendes
Pedagoga Mônica Samia acompanhou iG em Jussari. Na foto, ouve a professora Nair Barreto
A reportagem do iG visitou alguns destes municípios que carregam o peso de serem taxados como os “piores do País” na 4ª série. Além de Apuarema, a equipe também foi a Dário Meira. Entre os “piores”, é um dos que tem a nota mais alta. Os conceitos dos dois municípios parecem distantes (0,5 e 2,2), mas a realidade não é. Ambos têm dificuldades em comum.
Com a pedagoga Mônica, que mora em Salvador há mais de 15 anos e acompanha de perto as mudanças que o Ideb provoca nas cidades, visitou as escolas públicas de Jussari, um dos municípios com nota mais baixa nas séries finais. A educadora ajudou a identificar o que impede a melhoria do ensino e quais estratégias podem garantir a aprendizagem dos alunos.

Os desafios

A série de reportagens que será publicada pelo iG vai mostrar que a escola sozinha não conseguirá transpor os obstáculos ao direito de aprender, que é de todos os estudantes brasileiros. Há problemas que extrapolam as paredes das salas de aula e interferem diretamente neste processo.
Faltam empregos, oportunidades e infra-estrutura adequada nestes municípios. Muitas famílias se sustentam com o Bolsa Família, aposentadoria de algum parente ou são funcionários da prefeitura. As disputas políticas ainda chegam às escolas e prejudicam os alunos.
A falta de espaço físico faz com que a maioria das escolas não tenha biblioteca, quadras de esporte e laboratórios. Os professores, cujos salários são baixos, não têm programas de formação continuada estruturados. Eles próprios carregam deficiências de formação de quando eram pequenos estudantes.
A boa notícia é que há quem já promova reviravoltas. A série vai mostrar como Boa Vista do Tupim, também na Bahia, saltou do Ideb 2,2 em 2005 para 5,8 em 2009. Há problemas semelhantes aos dos outros municípios por lá, mas uma premissa básica se tornou prioridade: o direito de aprender.

sábado, 21 de agosto de 2010

Como escrever um Artigo Científico ou Técnico

por C. S. Lyra (2006)

Um bom artigo científico deve ser escrito com clareza, precisão e fluência de tal forma que o leitor se sinta interessado em sua leitura, e seja capaz de entender o seu conteúdo facilmente. O artigo deve apresentar adequadamente os objetivos, a metodologia utilizada e os resultados encontrados.
Infelizmente, um grande número de artigos científicos e técnicos é recusado para publicação devido à má qualidade da apresentação. Por vezes eles possuem um excesso de páginas, informações irrelevantes, ausência de conclusões precisas, tabelas e gráficos mal feitos, e carência de comparação dos resultados com trabalhos anteriores.
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, equações claras não são suficientes para uma comunicação efetiva em um artigo científico, elas deverão ser acompanhadas por um bom texto explicativo que conduza o leitor através do trabalho.
Além de manter uma boa organização na apresentação dos objetivos, fatos e conclusões, você também deve tomar cuidado com a ortografia e a gramática para que o leitor não tenha problemas para entender o que você está tentando dizer.
Aqui você encontrará algumas sugestões práticas e pontos a serem considerados durante a redação de um artigo científico ou técnico, como:
Existem várias razões para se publicar um artigo técnico ou uma publicação científica, como:
Divulgação científica - A publicação de um artigo científico ou técnico é uma forma de transmitir à comunidade técnico-científica o conhecimento de novas descobertas, e o desenvolvimento de novos materiais, técnicas e métodos de análise nas diversas áreas da ciência.

Aumentar o prestígio do autor - Pesquisadores com um grande volume de publicações desfrutam do reconhecimento técnico dentro da comunidade científica, alcançam melhores colocações no mercado de trabalho, e divulgam o nome da instituição a qual estão vinculados.

Apresentação do seu trabalho - Muitas instituições de ensino e/ou pesquisa, e várias empresas comerciais frequentemente requerem que os seus profissionais apresentem o progresso de seu trabalho e/ou estudo através da publicação de artigos técnico-científicos.

Aumentar o prestígio da sua instituição ou empresa - Instituições ou empresas que publicam constantemente usufruem do reconhecimento técnico de seu nome, o que ajuda a atrair maiores investimentos e ganhos para esta organização.

Se posicionar no mercado de trabalho - O conhecido ditado em inglês "Publish or perish", ou seja, "Publique ou pereça", provavelmente nunca foi tão relevante como nos dias de hoje. Redigir um artigo técnico lhe trará uma boa experiência profissional, e contribuirá para enriquecer o seu currículo, aumentando assim suas chances de obter uma melhor colocação no mercado de trabalho.
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Abaixo apresentamos o formato mais comum utilizado para se redigir um artigo técnico ou científico.
    Título: Faça um título curto, que chame a atenção, e além de tudo, que reflita o tema principal do artigo. Nome do autor e afiliação: Escreva o seu nome e a sua afiliação de forma uniforme e sistemática em todas as suas publicações para que seus artigos possam ser citados de forma correta por outros autores. Resumo: As pessoas se baseiam no Resumo ou no Abstract para decidirem ler ou não o restante de um artigo. Assim, resuma de maneira precisa os tópicos principais do artigo e as conclusões obtidas através do seu trabalho. Não utilize mais que 150 a 250 palavras. Limite o número de tópicos para evitar confusão na identificação da mensagem principal do artigo. Caso você possua um número elevado de tópicos importantes a serem discutidos, reserve alguns para um artigo futuro. Não inclua referências, figuras ou equações nesta seção. Abstract: O Abstract é a versão do Resumo em inglês. Por uma questão de coerência, ele deve possuir tamanho e significado compatíveis com o resumo. Algumas línguas são mais concisas que outras, mas é inaceitável que o Resumo e o Abstract contenham divergências. Além disso, a versão em inglês não deverá ser apenas uma tradução literal ou convencional do resumo, mas sim uma tradução científica, com a tradução precisa dos termos e expressões técnicas, ou o seu trabalho poderá ser rejeitado para publicação. A INFINITE oferece serviços de alta qualidade em traduções técnico-científicas com os melhores preços do mercado. Solicite o seu orçamento sem compromisso. Palavras-chave: Por vezes, editores solicitam a inclusão de um conjunto de palavras-chave que caracterizem o seu artigo. Estas palavras serão usadas posteriormente para permitir que o artigo seja encontrado por sistemas eletrônicos de busca. Por isso, você deve escolher palavras-chave abrangentes, mas que ao mesmo tempo identifiquem o artigo. Um bom critério é selecionar as palavras que você usaria para procurar na Web um artigo semelhante ao seu. Introdução: A introdução é um apanhado geral do conteúdo do seu artigo científico sem entrar em muitos detalhes. Apenas poucos parágrafos são o suficiente. Descreva brevemente a importância da área de estudo. Especifique a relevância da publicação do seu artigo, ou seja, explique como o seu trabalho contribui para ampliar o conhecimento em uma determinada área da ciência, ou se ele apresenta novos métodos para resolver um problema. Apresente uma revisão da literatura recente (publicada nos últimos 5 anos), específica sobre o tópico abordado, ou forneça um histórico do problema. Para se escrever uma introdução informativa para o seu artigo, você deverá estar familiarizado com o problema. A introdução deve apresentar a evolução natural de sua pesquisa. Ela pode ser elaborada após você escrever Discussão e Conclusões. Assim você terá uma boa idéia do que incluir na sua introdução. Corpo do artigo: Definição do problema - Defina o problema ou tópico estudado, explique a terminologia básica, e estabeleça claramente os objetivos e as hipóteses. Note que artigos são frequentemente rejeitados para publicação porque os autores apresentam apenas os objetivos, mas não as hipóteses. Formulação teórica, materiais e métodos - Apresente as formulações teóricas e hipóteses. Liste de forma abrangente todos os materiais e a metodologia utilizada de forma que os leitores sejam capazes de reproduzir o seu estudo. Em trabalhos experimentais, não faça um diário de eventos, mas reorganize os procedimentos de uma forma coerente. Você deverá explicar claramente os procedimentos usados para solucionar o problema e explicar cada etapa destes procedimentos. Não omita detalhes importantes. Tudo o que você puder escrever que irá validar o seu estudo deverá ser incluído nesta seção. Utilize métodos eficientes e precisos ao invés de técnicas ultrapassadas. Dê crédito ao trabalho de outras pessoas através de referências: forneça detalhes de conceitos discutidos e/ou refira-se às fontes. Resultados: Faça tabelas com os dados obtidos, mas guarde os seus comentários para a seção Discussão. Uma vez que artigos com tabelas irão obter um maior número de citações porque outros pesquisadores podem usar os seus dados como base de comparação, construa suas tabelas com sublegendas adequadas para as linhas e colunas. Se possível, utilize figuras, gráficos, e outras representações diagramáticas atrativas para ilustrar claramente os seus dados. Gráficos e tabelas devem sempre ter legendas, dizendo exatamente o que representam. Falhas comuns em artigos técnicos incluem o uso inapropriado de tabelas e figuras que confundem os leitores, e a falta de análises estatísticas adequadas. Tabelas devem ser incluídas quando se deseja apresentar um número pequeno de dados. Não devem ser usadas para listar dados levantados para se plotar um gráfico. Neste caso apenas o gráfico deve ser apresentado. A seção Resultados deve ser apenas longa o suficiente para apresentar as evidências de seu estudo. Discussão: Os revisores técnicos irão aceitar o seu artigo para publicação se eles estiverem convencidos que os seus resultados são válidos. Assim, apresente argumentos convincentes e adequados, prova matemática, exemplos, equações, análises estatísticas, padrões/tendências observadas, opiniões e idéias além da coleção de números coletados e tabelados. Faça comparações com resultados obtidos por outros pesquisadores, caso existam. Sugira aplicações para o seu trabalho. Conclusão: Resuma, aponte e reforce as idéias principais e as contribuições proporcionadas pelo seu trabalho. Você pode iniciar a sua conclusão dizendo o que foi aprendido através do seu estudo. Sua conclusão deve ser analítica, interpretativa, e incluir argumentos explicativos. Você deve ser capaz de fornecer evidências da solução de seu problema através dos resultados obtidos através do seu trabalho. Trabalho Futuro: Comente sobre os seus planos para um trabalho futuro com relação ao mesmo problema, ou modificações a serem feitas e/ou limitações do método utilizado que poderão ou não serem superadas. Agradecimentos: Dê crédito às pessoas e organizações por qualquer suporte técnico e/ou financeiro recebido durante a realização de seu estudo. Cite também qualquer material com direitos autorais ou "copyright" utilizado com permissão. Referências: A seção das referências demanda tempo para ser organizada, e é de extrema importância. Mantenha o estilo exigido pelo congresso ou jornal técnico. As referências normalmente seguem a ordem de aparecimento no texto. Obedeça sempre as normas de publicação específicas de cada publicação. Forneça informações completas sobre as referências utilizadas. Apêndices: Insira como apêndice as informações que não são fornecidas no texto principal como, por exemplo, questionários ou software utilizado.
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Anexe todos os gráficos e tabelas ao documento. Use as cores branca, preta ou tons de cinza em suas figuras uma vez que muitos congressos e jornais técnicos não publicam em cores.

Muitas vezes o tamanho dos artigos é limitado entre 6 a 10 páginas (incluindo figuras). Escreva concisamente.

Use um manual técnico de redação e estilo para ajudá-lo com a estrutura de parágrafos e sentenças, utilização de palavras, estilo de redação, elaboração de figuras e tabelas, etc.

Confira a ortografia e a gramática com o auxilio de seu editor de texto.

Imprima ou copie os "Regulamentos para Publicação" do congresso ou jornal onde você deseja ver o seu artigo publicado. É extremamente importante reconhecer o formato básico exigido. O seu artigo pode ser rejeitado por não se encontrar no formato padrão, mesmo que apresente um bom conteúdo. Margens, espaçamentos, numeração de páginas e figuras, e o estilo das referências são todos aspectos importantes. Pode ser útil ter cópia de alguns artigos publicados em anais ou exemplares anteriores para se ter uma boa idéia do formato de apresentação de publicações aceitas.
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Peça a uma ou duas pessoas para revisarem o seu artigo. Forneça uma cópia a alguém que, de preferência, esteja familiarizado com o tópico específico de seu artigo, e outra cópia a alguém que esteja familiarizado com a sua área geral de trabalho. Desta forma pode-se identificar enganos, e pontos a serem melhor esclarecidos.
Após ter concluído todas as etapas anteriores na elaboração do seu artigo científico, e se você optou por publicar o seu trabalho em uma conferência ou jornal técnico internacional, você terá que traduzi-lo para o idioma da publicação, geralmente o inglês. Esta deverá ser não apenas uma tradução literal do seu trabalho, mas sim uma tradução científica, com a tradução precisa dos termos e expressões técnicas, ou o seu trabalho poderá ser rejeitado pelos revisores técnicos da publicação.
Se você está procurando por uma tradução correta e precisa nós seriamente aconselhamos que você utilize um serviço de tradução e/ou revisão profissional.
    Cuidado: Muitas empresas oferecem serviços de tradução "técnica ou científica" por preços mais reduzidos, mas na realidade apenas realizam uma tradução convencional do texto. Por melhor que seja a qualidade desta "tradução convencional", ela não permitirá que seu trabalho seja aceito para publicação.
A INFINITE oferece a você serviços de alta qualidade em traduções científicas, realizados por profissionais capacitados, e com os melhores preços do mercado. Entre em contato conosco e solicite seu orçamento sem compromisso.
Considerações Finais
Maior que a satisfação de poder escrever um artigo expressando as suas idéias de uma forma clara, precisa, concisa e atraente, é o prazer alcançado quando o seu artigo científico é reconhecido e citado por colegas pesquisadores, assim como quando ele é arquivado e perpetuado através de sua publicação. Quanto mais experiência se ganha escrevendo novos artigos, mais fácil e rápido se torna escrever publicações de qualidade.
Boa sorte.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Leitor intruso na noite

Milton Hatoum, milton.hatoum@estadao.com.br - O Estado de S.Paulo

O leitor é um ser misterioso que faz parte da trama e da linguagem de uma ficção. É um coautor da invenção que está lendo. Procurar a identidade deste ou daquele leitor é uma busca sem fim, uma inconsequente especulação metafísica ou um salto no escuro. Por isso, quando escrevo, nunca penso no leitor. Mas na semana passada, tarde da noite, quando tinha acabado de ler na mesa de um bar um conto de um escritor argentino, um homem se aproximou de mim e disse com uma voz ríspida:
Sou um leitor e vim acertar as contas com você.
Eu ia perguntar alguma coisa, mas ele prosseguiu:
Por dois motivos: o primeiro é que você me excluiu do seu romance. O segundo e mais grave é que você matou meu pai nesse mesmo romance.
Fechei o livro que estava lendo e olhei com receio o intruso que falava com a disposição de um inimigo. Não sei como, uma voz saiu de dentro de mim:
Você foi excluído? Eu matei seu pai?
Isso mesmo. Seu romance é um relato calunioso, uma mentira pérfida. Eu sou o terceiro irmão, que você ignorou de uma forma vil. Além disso, meu pai está vivo. É um absurdo o que você fez com ele.
As janelas do bar estavam embaçadas; mesmo assim, procurei com os olhos um recorte da noite ou da realidade. Durante uns segundos, cedi ao efeito da bebida e duvidei da existência da voz que acabara de ouvir; em seguida vi com nitidez o rosto do homem a três palmos dos meus olhos.
Chuviscava. Ninguém nas calçadas. Os dois garçons tinham sumido e o vento frio entrava pela única porta aberta. Pensei: devia ter ido embora com o último notívago; pensei também que nesta cidade o último crime nunca é o último. Alguém está morrendo neste instante, alguém fez um disparo e amanhã a notícia desse crime recente será velha e inútil. Ia tomar um gole de conhaque, mas minhas mãos tremiam e achei prudente não revelar meu medo. Sem olhar para o intruso, me levantei com um gesto calmo, um gesto calculado e fingido. O conto que acabara de ler me deixou mais confuso e temeroso. Percebi que só eu e o intruso estávamos no bar; quase ao mesmo tempo percebi que ele era muito mais forte do que eu. Por um momento - uns cinco ou seis segundos - pensei que as acusações tinham chegado ao fim. Um bêbado ou um desesperado soltou um grito em algum lugar do quarteirão; esse som rompeu o silêncio e me aliviou um pouco. Quando o eco do grito sumiu, a noite se entregou ao silêncio demorado, que prenuncia o perigo. De repente, o homem enfiou a mão direita no bolso do casaco e em seguida abriu a outra mão com um gesto de mágico que me pareceu patético. Vi uma lâmina enferrujada na mão aberta e ouvi uma sentença em voz grave:
Para um mentiroso e covarde como você, não há saída.
Assustado, apenas murmurei: Há uma.
O intruso fechou a mão, apontando a lâmina escura no meu peito; olhou furtivamente para a porta aberta e perguntou com desprezo:
Qual saída?
Escrever outro livro, incluir um terceiro irmão na trama e ressuscitar seu pai.
E assim fiz, escrevendo como um louco até o amanhecer, quando enfim me livrei do pesadelo.

Tópicos: , Cultura, Versão impressa

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Concursos e as novas regras da Língua Portuguesa

A prova de língua portuguesa está presente na maioria dos concursos e costuma ter um peso considerável. Por isso, fique atento às mudanças e aproveite o período de férias para se atualizar. Para facilitar a vida de quem está correndo contra o tempo, estudando duas regras da língua portuguesa - a atual e a futura - para provas em seleções públicas, é importante organizar o estudo. Confira, a seguir, um apanhado das principais modificações da língua portuguesa:

Acentuação Gráfica

Hiatos ee e oo: eliminou-se o acento circunflexo que se usava na primeira vogal dos hiatos ee e oo. Exemplo: creem, leem, voo.
Trema: foi supimido. Exemplo: frequente, aguentar. É mantido apenas em nomes estrangeiros e derivados. Exemplo: Müller, mülleriano. Também o acento derivado da regra do trema foi abolido. Exemplo: arguem, argui (ele), arguis (tu), averiguem, averigue (ele), averigues (tu).
Ditongos ei e oi: foi eliminado o acento nos ditongos ei e oi de pronúncia aberta, mas apenas nas palavras paroxítonas. Exemplo: geleia, plateia. Nas oxítonas, o acento é mantido. Exemplo: fiéis, hotéis, dói. Também se mantém o acento no ditongo aberto eu. Exemplo: chapéu, ilhéu.
Vogais tônicas i e u: O acento no i e no u tônicos de palavras paroxítonas deixa de ser usado quando precedidos de ditongo. Exemplo: feiura, baiuca. Nas palavras oxítonas, o acento é mantido. Exemplo: Piauí, Jundiaí. O acento também continua sendo usado quando essas vogais não são precedidas de ditongo, independentemente da posição do acento tônico. Exemplo: baú, aí, saída, conteúdo.
Acentos diferenciais: não se usam mais os acentos diferenciais em palavras paroxítonas que haviam sido preservados pela reforma de 1971. Exemplo: para (verbo), pelo, pelas (verbo), pelo (substantivo), pera (fruta), pera (pedra), Pero (Pedro), pola, pols, polo, polos (substantivos), coa, coas (verbo). O Acordo, no entanto, manteve o acento diferencial nas palavras pôr (verbo) e pôde (3ª pessoa do singular do pretérito do indicativo). Além disso, introduziu, opcionalmente, o acento no substantivo fôrma, para diferenciar de forma.

Emprego do Hífen

Enquanto na acentuação gráfica ocorreu apenas a eliminação de acentos, com relação ao emprego do hífen, o Acordo retirou o hífen em muitas palavras e introduziu-o em outras.
Em palavras compostas
Com respeito às palavras compostas, manteve-se inteiramente o princípio que orienta o uso do hífen (marcar mudança no significado). Exemplo: laranja-do-céu, mão-de-obra. O Acordo faz apenas um pequeno ajuste: elimina-se o hífen em compostos que perderam a noção de composição, como ocorre em paraquedas e parquedista. Devido à relatividade da norma, é necessário aguardar o vocabulário oficial da Academia Brasileira de Letras.
Em palavras prefixadas
A principal modificação introduzida pelo Acordo nesta questão da grafia é a unificação da norma, que passa a ser aplicada uniformemente ao verdadeiros prefixos (intra, ante, anti, sub, super, pré, ...) e aos falsos prefixos (agro aero, micro, macro, mini, mono, eletro, ...), passando a se empregar obrigatoriamente o hífen nos seguintes casos:
a) Sempre que o segundo elemento começar por h. Exemplo: anti-higiênico, eletro-hidráulico.
b) Quando o primeiro elemento termina na mesma vogal com que se inicia o segundo. Exemplo: anti-inflamatório, contra-atacar.
Além dessas normas, devem-se observar também as seguintes:
a) Se o segundo elemento começar por vogal que não a final do prefixo, aglutinam-se os dois elementos. Exemplo: antiaéreo, extraescolar, neoescolástico, aeroespacial.
b) Quando aos prefixos terminados em vogal seguir elemento iniciado por r e s, estas letras devem ser dobradas. Exemplo antirreligioso, minirreforma, extrarregular, minissaia.
c) Os prefixos circum, pan, hiper, inter, super, ex (quando indica estado anterior), sota, soto, vice, vizo, pós, pré, e pró requerem hífen em outros casos, mantendo-se as regras em vigor antes do Acordo. Exemplo: circum-navegar, inter-relacionar, pré-natal, pan-americano.
d) Mantém-se a grafia sem hífen com os prefixos des, in, re, trans, entre outros de uso já consagrado. Exemplo: deserdar, inabilitar, reequilibrar, transoceânico.
e) Com relação ao prefixo sub, como se deduz da leitura atenta da base XVI do Acordo, em que pese interpretação contrária de algumas publicações, não se usa mais hifen quando a palavra que se segue inicia por r. Exemplo: subreino, subregra. Por extensão, a mesma regra se aplica aos demais prefixos terminados em b e d. Exemplo: abrogar, sobroda, adrogar.
Veja o Decreto completo que promulga o acordo ortográfico: Decreto n° 6583 Promulga o acordo ortográfico
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O CURSO DE LETRAS E O MERCADO DE TRABALHO


Por Lincoln Amaral    

A leitura e a linguagem em suas diversas formas de expressão assumem cada vez maior importância no ensino. Com o advento do Enem e de exames vestibulares temáticos, contextualizados e interdisciplinares; questões de Física e de Matemática, por exemplo, pressupõem hoje capacidade crítica e argumentativa.  No mundo contemporâneo é necessário desvendar os contextos, saber ler as entrelinhas, estabelecer as relações e interfaces que resultam das várias formas de conhecimento. Uma questão não possui apenas um foco, não pode ser simplificada em demasia, devemos buscar uma compreensão holística. Como os alunos podem se habilitar na competência de escrever de forma clara e objetiva para enfrentar os desafios dos vestibulares?

No mundo do trabalho, a paixão e a técnica devem se aliar na escolha das profissões. O êxito profissional resulta de um amálgama entre a especialização e uma visão de mundo abrangente, atual e totalizadora.

Saiba mais a respeito desses e de outros assuntos lendo a entrevista da Dra. Emília Amaral, eminente lingüista e escritora por excelência.

Entrevista com Emília Amaral

Zoom - Dra. Emília, a senhora é formada em Letras, doutora em Literatura e atua há muitos anos como profissional da escrita. O que a senhora poderia dizer a respeito dessa profissão para um jovem que pretende ingressar nesse curso superior em 2002? Qual é, resumidamente, o campo de ação e a abrangência profissional dessa área?

Emília - O campo de atuação dos profissionais da área de Letras é bem expressivo, especialmente com o amplo desenvolvimento do mercado de trabalho que temos tido ultimamente. Além da licenciatura, isto é, da formação para o magistério, este curso também permite que as pessoas que o concluem trabalhem em áreas afins, como jornalismo, editoração e prestação de serviços a diversos setores do mundo empresarial, dentre outras.

Zoom - Quais foram os fatores que determinaram a sua escolha pelo curso de Letras? O curso correspondeu as suas expectativas iniciais? De que forma ele a surpreendeu positivamente e negativamente?

Emília - Desde pequena, eu sou uma pessoa apaixonada por ler e escrever; meus cadernos de escola sempre estiveram cheios de textos daqueles "existenciais", de tentativas de poemas etc. Na adolescência, participei de uma maratona intelectual sobre um grande escritor brasileiro, Euclides da Cunha, e com o dinheiro que ganhei por meu trabalho ter sido premiado comprei livros, inaugurando uma biblioteca de que até hoje me orgulho... Sendo assim, escolher Letras, apesar de este curso ser considerado menos "nobre", ou melhor, menos rendoso (veja há quanto tempo existe este preconceito, eu já tenho 44 anos...) foi uma decorrência natural dos fatos... Como sempre acontece, o curso que fiz teve problemas (como a repetição de certas matérias e a ausência de outras, professores mal preparados ou desinteressados etc.) e qualidades, a maior delas tendo sido algumas aulas especiais, alguns professores inesquecíveis, algumas percepções súbitas que iluminaram minha mente, reafirmando meu gosto pelo conhecimento, especialmente em relação à literatura brasileira, o canal pelo qual eu tento enxergar a mim mesma, as pessoas que me rodeiam e o mundo em que vivo.

Zoom - Qual é a importância da leitura para o profissional de Letras? E para os outros profissionais em geral?

Emília - Ler significa atribuir sentidos, seja aos textos verbais, seja às imagens, seja às pessoas, seja à realidade, em quaisquer de seus aspectos. Assim, podemos comparar a leitura com a vida, e o mundo com o texto, porque tudo o que se faz depende de como se percebe, de como se "lê" aquilo que há a fazer. A capacidade de leitura, então, é essencial, é substantiva, para qualquer pessoa, em qualquer profissão. Tanto quanto a capacidade de expressar o que se leu em palavras, oralmente ou por escrito. Se isso é verdade quando se fala das pessoas de um modo genérico, é muito mais inquestionável quando se pensa no profissional de Letras. Para esse profissional, a leitura e a escrita são as principais ferramentas de trabalho, de reconhecimento e de intervenção na realidade.

Zoom - A área de Letras apresenta uma clara interface com todas as outras disciplinas do ensino médio. De que forma ela pode auxiliar o desenvolvimento da expressão de linguagens aparentemente tão distintas, como a linguagem científica e matemática e a linguagem artística?

Emília - Todas as linguagens, por mais distintas e específicas que sejam, possuem um elemento comum: elas são "traduzíveis" por meio de uma determinada língua, de um determinado idioma. No caso de nosso país, trata-se da língua portuguesa. E esta língua, assim como a literatura de nosso país, tem como responsáveis diretos, em termos de seu conhecimento profundo, os profissionais de Letras. Sendo assim, esses profissionais, direta ou indiretamente, interferem ou devem interferir na qualidade da linguagem utilizada para ensinar as outras linguagens. Ou seja, na medida em que é por meio da língua portuguesa que se ensina as outras linguagens, desde a artística até a científica, tal ensino depende, em primeiro lugar, de se conhecer bem a linguagem com a qual se ensina para fazê-lo com eficiência. Nesse sentido, a área de Letras é uma área metalingüística, ou seja, ela cria e recria a linguagem produtora de outras linguagens.

Zoom - Atualmente assistimos a uma profunda modificação de paradigma na educação em geral. Os PCNs (Novos Parâmetros Curriculares Nacionais propostos pelo MEC) estão sendo cada vez mais discutidos e adotados pelas escolas, exames como o Enem assumem importância estratégica para a aquisição de vagas nas disputadas instituições de ensino superior do país. Os exames vestibulares mais representativos também estão apostando suas fichas em provas temáticas, contextualizadas e interdisciplinares. De que forma essas mudanças afetaram o ensino de português no ensino médio? O que é necessário fazer para habilitar nossos alunos a enfrentar esse novo cenário do ensino, em que a interpretação de textos e a capacidade crítica e argumentativa são peças-chave para obter êxito nesses exames?

Emília - A meu ver, as mudanças educacionais propostas pelos PCNs pretendem aproximar mais, e com mais qualidade, a escola da vida. Isso porque a mera assimilação de conteúdos escolares tem sido substituída, cada vez mais pela aprendizagem de habilidades e competências. Ou seja, tão importante quanto o que se sabe é como se sabe o que se sabe, com que finalidade etc. No ensino médio, em que a massa dos conteúdos convencionalmente necessários para se chegar ao 3º grau tem sido dada meio arbitrariamente, as propostas dos PCNs devem trazer grandes modificações. Por meio delas, a ênfase na capacidade de ler, de (re) conhecer criticamente as mensagens vivas, veiculadas em contextos reais de uso da linguagem, como o televisivo, o publicitário, o jornalístico etc., deve acompanhar a aprendizagem dos conteúdos e (re)orientá-los.

Zoom - Entre as propostas elaboradas pelos PCNs, destaca-se a de desenvolver determinadas "competências e habilidades" que devem nortear o ensino. Talvez uma das mais importantes "competências" é exatamente a de, segundo a própria LDB: "(...) Na área de Linguagens e Códigos, destacar as competências que dizem respeito à constituição de significados – competência que será de grande valia para a formalização dos conteúdos das ciências da natureza e para as ciências humanas – bem como das linguagens como constituidoras da identidade e, portanto, do exercício de cidadania (esta última, uma competência explicitamente mencionada na LDB). Nessa área estão disciplinas, atividades e conteúdos relacionados às diferentes formas de expressão, das quais a Língua Portuguesa é a mais importante como principal elemento constitutivo de outros conhecimentos. Mas não se excluem nessa área as artes, a informática, as atividades físicas e esportivas e outras linguagens que se venham a trabalhar como variantes ou combinações das citadas (...)".O que a senhora tem a nos dizer sobre essa proposta? Até que ponto essas "competências" surgem mais com a intenção de satisfazer as expectativas do mercado, do que a de formar cidadãos verdadeiramente críticos e atuantes na sociedade?

Emília - O texto da lei abrange as duas coisas: formação para o exercício da cidadania e para a satisfação das expectativas do mercado. Entretanto, sabemos que por trás dele há um sistema cujos interesses são outros. No caso, estou me referindo à sociedade neoliberal, com seu surto permanente de produção e de consumo. Diante dessa realidade, acho que por um lado devemos nos manter alertas, sem ilusões nem ingenuidades em relação à ideologia reinante. E, por outro lado, acho que é necessário lutar pelo que acreditamos. Estou falando de não aceitar nenhum tipo de produção em série, de massificação, de mediocridade. E de defender, promover, fazer se desenvolver o cidadão que tenha consciência, capacidade crítica e criativa, sensibilidade. Quem está envolvido em educação em nosso país precisa, então, cuidar com carinho das lentes com que interpreta a lei.

Zoom - Classicamente, um profissional formado em Letras, ao se colocar no mercado de trabalho, ficava restrito ao binômio: carreira universitária/professor do ensino secundário. Sabemos hoje que esse campo de atuação se diversificou muito. Pontualmente, quais são as novas perspectivas de atuação desse profissional?

Emília - Atualmente, o profissional de Letras encontra em espaços como o editorial, o jornalismo e o empresarial, para citar três bem atuantes em nossos dias, reservas de mercado de atuação.

Zoom - No superdisputado mercado de trabalho do século 21, nossos alunos muitas vezes sentem-se pressionados a decidir pela escolha de uma carreira "promissora" para o futuro, e muitos sofrem forte influência familiar nesse sentido. Para confirmar tal tendência, um dado é ao mesmo tempo sintomático e estarrecedor: em 2001 cerca de 80% dos vestibulandos de todo o país disputaram vagas exclusivamente para as carreiras de medicina, direito, engenharia e administração; profissões essas consideradas promissoras. Sem negar estímulo às reais vocações médicas e jurídicas, o que deve fazer um jovem que almeja se formar em um curso de Artes Cênicas ou Letras (considerados pelo senso comum como carreiras "menos promissoras"), mas que se vê pressionado a optar por outra área, a fim de obter um pretenso êxito profissional?

Emília - Não é mais verdade que o caminho da arte é o que não rende, enquanto o da técnica é o que rende, embora todos saibamos que o mundo capitalista despreza o humano, canonizando como valor maior o lucro, a circulação desenfreada do capital. O fato é que vivemos numa fase de relativização de todas as certezas, de necessidade de repensar todas as polarizações, numa época em que nenhuma dicotomia se sustenta. Por exemplo, vejamos essa que separa arte e técnica: não há arte sem técnica e muito menos se sustenta uma técnica que não implique alguma arte. De acordo com esse mesmo raciocínio, podemos afirmar que a conquista de um lugar ao sol não é mais coisa certa nem para o médico, nem para o advogado, nem para o engenheiro, nem para o profissional de hotelaria... Sendo assim, artista não é mais quem gosta de Artes Cênicas, Música ou Literatura... Artista é quem consegue compreender que tem que fazer bem feito um ofício para conseguir vencer. E isso sem gosto, sem paixão, é muito difícil... Eu diria mais: é impossível, porque a saída da mediocridade, a genialidade, enraíza-se de modo inquestionável no gosto, no exercício das paixões, na capacidade de entrega aos desafios. Na minha opinião, o jovem deve se preocupar, sobretudo, em descobrir-se para descobrir o ofício que tem a ver com sua identidade. O resto é difícil de conseguir, mas, com esse pré-requisito garantido, torna-se até viável.

Zoom - Ainda sobre a opção profissional, fala-se muito atualmente sobre a necessidade de focar esforços na especialização em determinada área de interesse, ao passo que simultaneamente é necessário no mundo globalizado em que vivemos ter uma visão genérica sobre assuntos variados como ciência, tecnologia, economia, artes, política etc. Não lhe parece uma contradição essa enorme exigência do mercado sobre nossos jovens? Tal expectativa é compatível com a realidade social de nosso país?

Emília - Eu acho que faz parte das exigências de nossa época a capacidade de mobilidade. Se você olhar algo muito de perto, o objeto se torna obscuro e sua vista não o apreende. Se você olhar esse mesmo algo muito de longe, acontece uma coisa parecida: a visão o perde, por excesso de distanciamento. O que fazer, então? Acho que é preciso ao mesmo tempo saber distanciar e saber focar, é preciso olhar de vários ângulos, é preciso ser capaz da amplificação e do zoom para de fato conhecer o que quer que seja, hoje em dia. Não dá para falar do texto sem pensar no contexto, não dá para ficar só no particular nem só no geral... e a gente tem capacidade para isso. O que falta no Brasil para que essa capacidade seja desenvolvida, assim como muitas outras, é uma situação social justa, digna, decente. É preciso lutarmos por ela sempre lembrando que nada conseguiremos de fato, se nossas conquistas não forem além de nosso próprio umbigo... se elas não significarem possibilidades reais e concretas de transformação de nossa realidade, seja em que nível for.

Zoom - O que um jovem que pretende atuar profissionalmente na área de Letras deve fazer para se inserir nesse mercado de trabalho? Quais cursos seriam mais recomendados para essa área? Qual é a perspectiva de realização profissional para esse jovem?

Emília - O jovem interessado na área de Letras pode pensar em oferecer cursos para todos os tipos de empresas... Há muitos problemas graves na utilização adequada da língua portuguesa e isso se passa nos mais diversos setores. Por outro lado, esse jovem pode e deve estar continuamente se atualizando, por meio de todos os tipos de formações continuadas, como aquelas encontradas nas universidades, em instituições públicas e particulares e até na internet. Enfim, acho que o jovem que hoje tem coragem de apostar na carreira das Letras tem que confiar tanto em si mesmo e em sua escolha, e ser tão bom, que tanto possa escrever um livro de auto-ajuda, quanto ser capaz de desconstruir a necessidade desse tipo de livro...

Zoom - Como autora de livros didáticos, quais critérios utiliza para a seleção de textos de leitura? Nas atividades dirigidas aos estudantes, quais aspectos do texto costuma pôr em destaque? Por quê?

Emília - O primeiro critério que utilizo é o gosto. Sempre escolhi textos de que gosto, que me dizem coisas especiais, de modos especiais, para ensinar a escrever e a ler, por meio de exemplos ricos, que consigam provocar a sensibilidade, a imaginação, a capacidade crítica e criadora dos estudantes. Além desse critério, que me parece o mais importante – pois só quando gostamos de algo, procuramos de fato compreendê-lo em profundidade ­, costumo prestar atenção na qualidade literária e humana dos textos, evidentemente ligando tal critério ao nível de maturidade dos estudantes, aos objetivos daquele trabalho em particular etc.

Quanto às atividades com os textos, sempre costumo dar destaque àquelas que permitam compreendê-los em suas diversas maneiras de estruturação formal e também naquilo que dizem sobre a vida, naquilo que iluminam a respeito dos temas fundamentais de nossa existência. Ajo dessa forma porque acredito que os textos literários, nos contextos didáticos, podem constituir meios de depuração do conhecimento da linguagem e também do conhecimento de nós mesmos, dos outros e do mundo em que vivemos.

Zoom - Em sua opinião, de que forma a prática sistemática da leitura pode interferir na qualidade dos textos produzidos pelos alunos? É possível afirmar que um bom leitor tenderá a ser um bom escritor?

Emília - Sem dúvida, a prática sistemática da leitura interfere na qualidade dos textos produzidos pelos alunos. É claro que um bom leitor tenderá a ser um bom escritor, pois ler implica adquirir repertório para escrever, em todos os sentidos. Assim, um leitor que de fato seja bom tem "naturalmente" (quer dizer, sem "forçar a barra") um bom vocabulário, uma boa convivência com a linguagem escrita, um bom nível de percepção crítica das coisas, a imaginação desenvolvida com qualidade. Enfim, um bom leitor (acostumado com "bons" textos, isto é, com textos que possuem qualidade) me parece ter as principais características necessárias não exatamente ao bom "escritor", mas àquela pessoa que ­ sem ser profissional ­ consegue se expressar bem (com clareza, pertinência e riqueza expressiva), por meio da linguagem escrita.

Zoom - Que sugestões você daria a um jovem candidato a exames vestibulares que pretendesse atingir um bom desempenho nas provas de Língua Portuguesa e de outras disciplinas?

Emília - Minha sugestão é a de que este jovem ­ urgentemente ­ comece a ler. Se já começou, que continue e aprimore o processo, em termos de qualidade e de quantidade. A pessoa que lê entende melhor e mais depressa não apenas os conteúdos de Língua Portuguesa, mas todos os outros, principalmente quando se pensa em ciências humanas.

Zoom - Você acha importante a adoção de listas de livros de leitura obrigatória pelas bancas examinadoras dos principais exames vestibulares do país? Explique.

Emília - Apesar de essas listas às vezes serem traumáticas para os alunos, pois os obrigam a ler textos para os quais muitas vezes eles não têm maturidade ( e assim os "vacinam" ­ às vezes para sempre ­ contra o desenvolvimento do gosto pela leitura, o que de um modo ou de outro os prejudicará em sua vida profissional), acho que elas têm sido inevitáveis. Isso porque, mesmo que de forma bastante discutível, essas listas acabam garantindo algum conhecimento dos clássicos de nossa literatura pelos estudantes que pretendem cursar a universidade. Já vi muitos deles, no ano de preparação para o exame, lerem as obras atabalhoadamente, com raiva e resistência, e mesmo assim se interessarem por algumas, compreendendo que elas lhes dizem algo que tem a ver com sua vida, seu país, sua história, seu imaginário etc.

Quando se trata de arte, em particular de literatura, gostar relaciona-se muito com assimilar/incorporar, e isto é um desafio, uma conquista, nessa época em que predomina o fast-food, inclusive cultural. Sendo assim, ao mesmo tempo em que gostaria que a leitura não precisasse ser obrigatória, compreendo a necessidade das listas e concordo com a existência delas, pelo menos até melhorar a qualidade da educação em nosso país e as listas deixarem de ser imprescindíveis, como garantia de um mínimo de conhecimento civilizador imprescindível para se chegar à universidade.

Zoom - Em sua opinião, existe uma "técnica" de leitura passível de ser aprendida e, conseqüentemente, de ser ensinada? Quais habilidades e competências deve possuir um leitor efetivamente proficiente?

Emília - Penso que existe não apenas uma, mas várias técnicas de leitura que podem ser aprendidas/ensinadas com grande produtividade, desde que não se confundam com atividades automatizadas, adestradoras etc. Um bom leitor, a meu ver, precisa desenvolver certas competências/habilidades básicas, como atenção, concentração, capacidade de análise, de síntese etc.

Zoom - Ser um bom leitor pode ser um importante traço distintivo num mercado de trabalho tão competitivo quanto o atual?

Emília - É claro que sim. O grande desafio para o jovem, perante um mercado de trabalho com alto grau de competitividade, é associar competência técnica a diferenciais que se traduzem em habilidades, tais como conseguir pensar e agir com ousadia; ter comportamentos não estereotipados ou passivos, isto é, estar aberto a novas iniciativas, novas posturas, novas atitudes, novos procedimentos, novas percepções etc.

Hoje quem se destaca é quem não se deixou padronizar, é quem mantém uma personalidade capaz de se ampliar, de se adaptar, de manifestar certa inquietação, certa curiosidade, certa capacidade crítica e criativa, certa facilidade de se comunicar (de entender e de se fazer entender, de persuadir, de fascinar), que têm tudo a ver com ler. E também com ir ao cinema, ao museu, ao teatro; com ouvir música, com gostar de trocar idéias etc. Ou seja: a formação cultural do indivíduo, de que as capacidades de ler e escrever constituem os elementos mais importantes, constitui o grande e decisivo diferenciador, em termos de competência, nesses nossos tempos de mesmice, massificação e pobreza, em amplo sentido.

Dra. Emília Amaral é escritora e profissional nas áreas de educação e literatura há 20 anos, tendo escrito várias obras didáticas e paradidáticas, como Novas Palavras, da FTD, Novo manual de Português, da Nova Cultural; Literatura para a Unicamp e para a Fuvest 2001 e “Apresentação e Notas” de uma edição de O Ateneu, de Raul Pompéia, da Ateliê. Em fevereiro deste ano, concluiu e defendeu tese de doutorado, na Faculdade de Educação da Unicamp, com um trabalho sobre A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. Tem ministrado cursos de Leitura e Redação a professores e outros profissionais e estudantes em todo o Brasil há mais de 15 anos. Além de dezenas de palestras, conferências e minicursos, promovidos por instituições educacionais e também empresariais, como o Banco do Brasil, o Banco Interatlântico e o Banco de Boston. Foi docente do curso Intergraus e da PUC-SP.

Prof. Ernâni Getirana – Coordenador do Curso de Letras, UESPI-Pedro II-PI.