quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O CURSO DE LETRAS E O MERCADO DE TRABALHO


Por Lincoln Amaral    

A leitura e a linguagem em suas diversas formas de expressão assumem cada vez maior importância no ensino. Com o advento do Enem e de exames vestibulares temáticos, contextualizados e interdisciplinares; questões de Física e de Matemática, por exemplo, pressupõem hoje capacidade crítica e argumentativa.  No mundo contemporâneo é necessário desvendar os contextos, saber ler as entrelinhas, estabelecer as relações e interfaces que resultam das várias formas de conhecimento. Uma questão não possui apenas um foco, não pode ser simplificada em demasia, devemos buscar uma compreensão holística. Como os alunos podem se habilitar na competência de escrever de forma clara e objetiva para enfrentar os desafios dos vestibulares?

No mundo do trabalho, a paixão e a técnica devem se aliar na escolha das profissões. O êxito profissional resulta de um amálgama entre a especialização e uma visão de mundo abrangente, atual e totalizadora.

Saiba mais a respeito desses e de outros assuntos lendo a entrevista da Dra. Emília Amaral, eminente lingüista e escritora por excelência.

Entrevista com Emília Amaral

Zoom - Dra. Emília, a senhora é formada em Letras, doutora em Literatura e atua há muitos anos como profissional da escrita. O que a senhora poderia dizer a respeito dessa profissão para um jovem que pretende ingressar nesse curso superior em 2002? Qual é, resumidamente, o campo de ação e a abrangência profissional dessa área?

Emília - O campo de atuação dos profissionais da área de Letras é bem expressivo, especialmente com o amplo desenvolvimento do mercado de trabalho que temos tido ultimamente. Além da licenciatura, isto é, da formação para o magistério, este curso também permite que as pessoas que o concluem trabalhem em áreas afins, como jornalismo, editoração e prestação de serviços a diversos setores do mundo empresarial, dentre outras.

Zoom - Quais foram os fatores que determinaram a sua escolha pelo curso de Letras? O curso correspondeu as suas expectativas iniciais? De que forma ele a surpreendeu positivamente e negativamente?

Emília - Desde pequena, eu sou uma pessoa apaixonada por ler e escrever; meus cadernos de escola sempre estiveram cheios de textos daqueles "existenciais", de tentativas de poemas etc. Na adolescência, participei de uma maratona intelectual sobre um grande escritor brasileiro, Euclides da Cunha, e com o dinheiro que ganhei por meu trabalho ter sido premiado comprei livros, inaugurando uma biblioteca de que até hoje me orgulho... Sendo assim, escolher Letras, apesar de este curso ser considerado menos "nobre", ou melhor, menos rendoso (veja há quanto tempo existe este preconceito, eu já tenho 44 anos...) foi uma decorrência natural dos fatos... Como sempre acontece, o curso que fiz teve problemas (como a repetição de certas matérias e a ausência de outras, professores mal preparados ou desinteressados etc.) e qualidades, a maior delas tendo sido algumas aulas especiais, alguns professores inesquecíveis, algumas percepções súbitas que iluminaram minha mente, reafirmando meu gosto pelo conhecimento, especialmente em relação à literatura brasileira, o canal pelo qual eu tento enxergar a mim mesma, as pessoas que me rodeiam e o mundo em que vivo.

Zoom - Qual é a importância da leitura para o profissional de Letras? E para os outros profissionais em geral?

Emília - Ler significa atribuir sentidos, seja aos textos verbais, seja às imagens, seja às pessoas, seja à realidade, em quaisquer de seus aspectos. Assim, podemos comparar a leitura com a vida, e o mundo com o texto, porque tudo o que se faz depende de como se percebe, de como se "lê" aquilo que há a fazer. A capacidade de leitura, então, é essencial, é substantiva, para qualquer pessoa, em qualquer profissão. Tanto quanto a capacidade de expressar o que se leu em palavras, oralmente ou por escrito. Se isso é verdade quando se fala das pessoas de um modo genérico, é muito mais inquestionável quando se pensa no profissional de Letras. Para esse profissional, a leitura e a escrita são as principais ferramentas de trabalho, de reconhecimento e de intervenção na realidade.

Zoom - A área de Letras apresenta uma clara interface com todas as outras disciplinas do ensino médio. De que forma ela pode auxiliar o desenvolvimento da expressão de linguagens aparentemente tão distintas, como a linguagem científica e matemática e a linguagem artística?

Emília - Todas as linguagens, por mais distintas e específicas que sejam, possuem um elemento comum: elas são "traduzíveis" por meio de uma determinada língua, de um determinado idioma. No caso de nosso país, trata-se da língua portuguesa. E esta língua, assim como a literatura de nosso país, tem como responsáveis diretos, em termos de seu conhecimento profundo, os profissionais de Letras. Sendo assim, esses profissionais, direta ou indiretamente, interferem ou devem interferir na qualidade da linguagem utilizada para ensinar as outras linguagens. Ou seja, na medida em que é por meio da língua portuguesa que se ensina as outras linguagens, desde a artística até a científica, tal ensino depende, em primeiro lugar, de se conhecer bem a linguagem com a qual se ensina para fazê-lo com eficiência. Nesse sentido, a área de Letras é uma área metalingüística, ou seja, ela cria e recria a linguagem produtora de outras linguagens.

Zoom - Atualmente assistimos a uma profunda modificação de paradigma na educação em geral. Os PCNs (Novos Parâmetros Curriculares Nacionais propostos pelo MEC) estão sendo cada vez mais discutidos e adotados pelas escolas, exames como o Enem assumem importância estratégica para a aquisição de vagas nas disputadas instituições de ensino superior do país. Os exames vestibulares mais representativos também estão apostando suas fichas em provas temáticas, contextualizadas e interdisciplinares. De que forma essas mudanças afetaram o ensino de português no ensino médio? O que é necessário fazer para habilitar nossos alunos a enfrentar esse novo cenário do ensino, em que a interpretação de textos e a capacidade crítica e argumentativa são peças-chave para obter êxito nesses exames?

Emília - A meu ver, as mudanças educacionais propostas pelos PCNs pretendem aproximar mais, e com mais qualidade, a escola da vida. Isso porque a mera assimilação de conteúdos escolares tem sido substituída, cada vez mais pela aprendizagem de habilidades e competências. Ou seja, tão importante quanto o que se sabe é como se sabe o que se sabe, com que finalidade etc. No ensino médio, em que a massa dos conteúdos convencionalmente necessários para se chegar ao 3º grau tem sido dada meio arbitrariamente, as propostas dos PCNs devem trazer grandes modificações. Por meio delas, a ênfase na capacidade de ler, de (re) conhecer criticamente as mensagens vivas, veiculadas em contextos reais de uso da linguagem, como o televisivo, o publicitário, o jornalístico etc., deve acompanhar a aprendizagem dos conteúdos e (re)orientá-los.

Zoom - Entre as propostas elaboradas pelos PCNs, destaca-se a de desenvolver determinadas "competências e habilidades" que devem nortear o ensino. Talvez uma das mais importantes "competências" é exatamente a de, segundo a própria LDB: "(...) Na área de Linguagens e Códigos, destacar as competências que dizem respeito à constituição de significados – competência que será de grande valia para a formalização dos conteúdos das ciências da natureza e para as ciências humanas – bem como das linguagens como constituidoras da identidade e, portanto, do exercício de cidadania (esta última, uma competência explicitamente mencionada na LDB). Nessa área estão disciplinas, atividades e conteúdos relacionados às diferentes formas de expressão, das quais a Língua Portuguesa é a mais importante como principal elemento constitutivo de outros conhecimentos. Mas não se excluem nessa área as artes, a informática, as atividades físicas e esportivas e outras linguagens que se venham a trabalhar como variantes ou combinações das citadas (...)".O que a senhora tem a nos dizer sobre essa proposta? Até que ponto essas "competências" surgem mais com a intenção de satisfazer as expectativas do mercado, do que a de formar cidadãos verdadeiramente críticos e atuantes na sociedade?

Emília - O texto da lei abrange as duas coisas: formação para o exercício da cidadania e para a satisfação das expectativas do mercado. Entretanto, sabemos que por trás dele há um sistema cujos interesses são outros. No caso, estou me referindo à sociedade neoliberal, com seu surto permanente de produção e de consumo. Diante dessa realidade, acho que por um lado devemos nos manter alertas, sem ilusões nem ingenuidades em relação à ideologia reinante. E, por outro lado, acho que é necessário lutar pelo que acreditamos. Estou falando de não aceitar nenhum tipo de produção em série, de massificação, de mediocridade. E de defender, promover, fazer se desenvolver o cidadão que tenha consciência, capacidade crítica e criativa, sensibilidade. Quem está envolvido em educação em nosso país precisa, então, cuidar com carinho das lentes com que interpreta a lei.

Zoom - Classicamente, um profissional formado em Letras, ao se colocar no mercado de trabalho, ficava restrito ao binômio: carreira universitária/professor do ensino secundário. Sabemos hoje que esse campo de atuação se diversificou muito. Pontualmente, quais são as novas perspectivas de atuação desse profissional?

Emília - Atualmente, o profissional de Letras encontra em espaços como o editorial, o jornalismo e o empresarial, para citar três bem atuantes em nossos dias, reservas de mercado de atuação.

Zoom - No superdisputado mercado de trabalho do século 21, nossos alunos muitas vezes sentem-se pressionados a decidir pela escolha de uma carreira "promissora" para o futuro, e muitos sofrem forte influência familiar nesse sentido. Para confirmar tal tendência, um dado é ao mesmo tempo sintomático e estarrecedor: em 2001 cerca de 80% dos vestibulandos de todo o país disputaram vagas exclusivamente para as carreiras de medicina, direito, engenharia e administração; profissões essas consideradas promissoras. Sem negar estímulo às reais vocações médicas e jurídicas, o que deve fazer um jovem que almeja se formar em um curso de Artes Cênicas ou Letras (considerados pelo senso comum como carreiras "menos promissoras"), mas que se vê pressionado a optar por outra área, a fim de obter um pretenso êxito profissional?

Emília - Não é mais verdade que o caminho da arte é o que não rende, enquanto o da técnica é o que rende, embora todos saibamos que o mundo capitalista despreza o humano, canonizando como valor maior o lucro, a circulação desenfreada do capital. O fato é que vivemos numa fase de relativização de todas as certezas, de necessidade de repensar todas as polarizações, numa época em que nenhuma dicotomia se sustenta. Por exemplo, vejamos essa que separa arte e técnica: não há arte sem técnica e muito menos se sustenta uma técnica que não implique alguma arte. De acordo com esse mesmo raciocínio, podemos afirmar que a conquista de um lugar ao sol não é mais coisa certa nem para o médico, nem para o advogado, nem para o engenheiro, nem para o profissional de hotelaria... Sendo assim, artista não é mais quem gosta de Artes Cênicas, Música ou Literatura... Artista é quem consegue compreender que tem que fazer bem feito um ofício para conseguir vencer. E isso sem gosto, sem paixão, é muito difícil... Eu diria mais: é impossível, porque a saída da mediocridade, a genialidade, enraíza-se de modo inquestionável no gosto, no exercício das paixões, na capacidade de entrega aos desafios. Na minha opinião, o jovem deve se preocupar, sobretudo, em descobrir-se para descobrir o ofício que tem a ver com sua identidade. O resto é difícil de conseguir, mas, com esse pré-requisito garantido, torna-se até viável.

Zoom - Ainda sobre a opção profissional, fala-se muito atualmente sobre a necessidade de focar esforços na especialização em determinada área de interesse, ao passo que simultaneamente é necessário no mundo globalizado em que vivemos ter uma visão genérica sobre assuntos variados como ciência, tecnologia, economia, artes, política etc. Não lhe parece uma contradição essa enorme exigência do mercado sobre nossos jovens? Tal expectativa é compatível com a realidade social de nosso país?

Emília - Eu acho que faz parte das exigências de nossa época a capacidade de mobilidade. Se você olhar algo muito de perto, o objeto se torna obscuro e sua vista não o apreende. Se você olhar esse mesmo algo muito de longe, acontece uma coisa parecida: a visão o perde, por excesso de distanciamento. O que fazer, então? Acho que é preciso ao mesmo tempo saber distanciar e saber focar, é preciso olhar de vários ângulos, é preciso ser capaz da amplificação e do zoom para de fato conhecer o que quer que seja, hoje em dia. Não dá para falar do texto sem pensar no contexto, não dá para ficar só no particular nem só no geral... e a gente tem capacidade para isso. O que falta no Brasil para que essa capacidade seja desenvolvida, assim como muitas outras, é uma situação social justa, digna, decente. É preciso lutarmos por ela sempre lembrando que nada conseguiremos de fato, se nossas conquistas não forem além de nosso próprio umbigo... se elas não significarem possibilidades reais e concretas de transformação de nossa realidade, seja em que nível for.

Zoom - O que um jovem que pretende atuar profissionalmente na área de Letras deve fazer para se inserir nesse mercado de trabalho? Quais cursos seriam mais recomendados para essa área? Qual é a perspectiva de realização profissional para esse jovem?

Emília - O jovem interessado na área de Letras pode pensar em oferecer cursos para todos os tipos de empresas... Há muitos problemas graves na utilização adequada da língua portuguesa e isso se passa nos mais diversos setores. Por outro lado, esse jovem pode e deve estar continuamente se atualizando, por meio de todos os tipos de formações continuadas, como aquelas encontradas nas universidades, em instituições públicas e particulares e até na internet. Enfim, acho que o jovem que hoje tem coragem de apostar na carreira das Letras tem que confiar tanto em si mesmo e em sua escolha, e ser tão bom, que tanto possa escrever um livro de auto-ajuda, quanto ser capaz de desconstruir a necessidade desse tipo de livro...

Zoom - Como autora de livros didáticos, quais critérios utiliza para a seleção de textos de leitura? Nas atividades dirigidas aos estudantes, quais aspectos do texto costuma pôr em destaque? Por quê?

Emília - O primeiro critério que utilizo é o gosto. Sempre escolhi textos de que gosto, que me dizem coisas especiais, de modos especiais, para ensinar a escrever e a ler, por meio de exemplos ricos, que consigam provocar a sensibilidade, a imaginação, a capacidade crítica e criadora dos estudantes. Além desse critério, que me parece o mais importante – pois só quando gostamos de algo, procuramos de fato compreendê-lo em profundidade ­, costumo prestar atenção na qualidade literária e humana dos textos, evidentemente ligando tal critério ao nível de maturidade dos estudantes, aos objetivos daquele trabalho em particular etc.

Quanto às atividades com os textos, sempre costumo dar destaque àquelas que permitam compreendê-los em suas diversas maneiras de estruturação formal e também naquilo que dizem sobre a vida, naquilo que iluminam a respeito dos temas fundamentais de nossa existência. Ajo dessa forma porque acredito que os textos literários, nos contextos didáticos, podem constituir meios de depuração do conhecimento da linguagem e também do conhecimento de nós mesmos, dos outros e do mundo em que vivemos.

Zoom - Em sua opinião, de que forma a prática sistemática da leitura pode interferir na qualidade dos textos produzidos pelos alunos? É possível afirmar que um bom leitor tenderá a ser um bom escritor?

Emília - Sem dúvida, a prática sistemática da leitura interfere na qualidade dos textos produzidos pelos alunos. É claro que um bom leitor tenderá a ser um bom escritor, pois ler implica adquirir repertório para escrever, em todos os sentidos. Assim, um leitor que de fato seja bom tem "naturalmente" (quer dizer, sem "forçar a barra") um bom vocabulário, uma boa convivência com a linguagem escrita, um bom nível de percepção crítica das coisas, a imaginação desenvolvida com qualidade. Enfim, um bom leitor (acostumado com "bons" textos, isto é, com textos que possuem qualidade) me parece ter as principais características necessárias não exatamente ao bom "escritor", mas àquela pessoa que ­ sem ser profissional ­ consegue se expressar bem (com clareza, pertinência e riqueza expressiva), por meio da linguagem escrita.

Zoom - Que sugestões você daria a um jovem candidato a exames vestibulares que pretendesse atingir um bom desempenho nas provas de Língua Portuguesa e de outras disciplinas?

Emília - Minha sugestão é a de que este jovem ­ urgentemente ­ comece a ler. Se já começou, que continue e aprimore o processo, em termos de qualidade e de quantidade. A pessoa que lê entende melhor e mais depressa não apenas os conteúdos de Língua Portuguesa, mas todos os outros, principalmente quando se pensa em ciências humanas.

Zoom - Você acha importante a adoção de listas de livros de leitura obrigatória pelas bancas examinadoras dos principais exames vestibulares do país? Explique.

Emília - Apesar de essas listas às vezes serem traumáticas para os alunos, pois os obrigam a ler textos para os quais muitas vezes eles não têm maturidade ( e assim os "vacinam" ­ às vezes para sempre ­ contra o desenvolvimento do gosto pela leitura, o que de um modo ou de outro os prejudicará em sua vida profissional), acho que elas têm sido inevitáveis. Isso porque, mesmo que de forma bastante discutível, essas listas acabam garantindo algum conhecimento dos clássicos de nossa literatura pelos estudantes que pretendem cursar a universidade. Já vi muitos deles, no ano de preparação para o exame, lerem as obras atabalhoadamente, com raiva e resistência, e mesmo assim se interessarem por algumas, compreendendo que elas lhes dizem algo que tem a ver com sua vida, seu país, sua história, seu imaginário etc.

Quando se trata de arte, em particular de literatura, gostar relaciona-se muito com assimilar/incorporar, e isto é um desafio, uma conquista, nessa época em que predomina o fast-food, inclusive cultural. Sendo assim, ao mesmo tempo em que gostaria que a leitura não precisasse ser obrigatória, compreendo a necessidade das listas e concordo com a existência delas, pelo menos até melhorar a qualidade da educação em nosso país e as listas deixarem de ser imprescindíveis, como garantia de um mínimo de conhecimento civilizador imprescindível para se chegar à universidade.

Zoom - Em sua opinião, existe uma "técnica" de leitura passível de ser aprendida e, conseqüentemente, de ser ensinada? Quais habilidades e competências deve possuir um leitor efetivamente proficiente?

Emília - Penso que existe não apenas uma, mas várias técnicas de leitura que podem ser aprendidas/ensinadas com grande produtividade, desde que não se confundam com atividades automatizadas, adestradoras etc. Um bom leitor, a meu ver, precisa desenvolver certas competências/habilidades básicas, como atenção, concentração, capacidade de análise, de síntese etc.

Zoom - Ser um bom leitor pode ser um importante traço distintivo num mercado de trabalho tão competitivo quanto o atual?

Emília - É claro que sim. O grande desafio para o jovem, perante um mercado de trabalho com alto grau de competitividade, é associar competência técnica a diferenciais que se traduzem em habilidades, tais como conseguir pensar e agir com ousadia; ter comportamentos não estereotipados ou passivos, isto é, estar aberto a novas iniciativas, novas posturas, novas atitudes, novos procedimentos, novas percepções etc.

Hoje quem se destaca é quem não se deixou padronizar, é quem mantém uma personalidade capaz de se ampliar, de se adaptar, de manifestar certa inquietação, certa curiosidade, certa capacidade crítica e criativa, certa facilidade de se comunicar (de entender e de se fazer entender, de persuadir, de fascinar), que têm tudo a ver com ler. E também com ir ao cinema, ao museu, ao teatro; com ouvir música, com gostar de trocar idéias etc. Ou seja: a formação cultural do indivíduo, de que as capacidades de ler e escrever constituem os elementos mais importantes, constitui o grande e decisivo diferenciador, em termos de competência, nesses nossos tempos de mesmice, massificação e pobreza, em amplo sentido.

Dra. Emília Amaral é escritora e profissional nas áreas de educação e literatura há 20 anos, tendo escrito várias obras didáticas e paradidáticas, como Novas Palavras, da FTD, Novo manual de Português, da Nova Cultural; Literatura para a Unicamp e para a Fuvest 2001 e “Apresentação e Notas” de uma edição de O Ateneu, de Raul Pompéia, da Ateliê. Em fevereiro deste ano, concluiu e defendeu tese de doutorado, na Faculdade de Educação da Unicamp, com um trabalho sobre A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. Tem ministrado cursos de Leitura e Redação a professores e outros profissionais e estudantes em todo o Brasil há mais de 15 anos. Além de dezenas de palestras, conferências e minicursos, promovidos por instituições educacionais e também empresariais, como o Banco do Brasil, o Banco Interatlântico e o Banco de Boston. Foi docente do curso Intergraus e da PUC-SP.

Prof. Ernâni Getirana – Coordenador do Curso de Letras, UESPI-Pedro II-PI.

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